Finais e Compromissos

Estamos a sair um pouco da neblina por onde temos passado. A sensação de andar «perdido» ou um bocadinho fora da realidade tem-se feito sentir. Também pode ter sido sentido o desejo de nos alhearmos da realidade, de fugirmos de alguma forma.

Estes momentos, em que nos sentimos descompensados ou desregulados, são os momentos ideais para nos virarmos para dentro e nos questionarmos em que direção queremos ir.

E a direção em que seguimos até é algo bastante secundário. O principal é quem queremos ser. Em crianças somos levados a acreditar que temos de ser «uma profissão». E tantas vezes, as pessoas deixam de acreditar nos seus sonhos e vão percorrendo a vida aos trambolhões, sentindo-se obrigadas a isto e àquilo, sentindo-se reprimidas pelas circunstâncias…

Esta energia que sentimos agora está a desconstruir-nos, de várias formas, para que possamos reinventar-nos.

Saltam-nos à vista as nossas intolerâncias, as nossas falhas… Salta-nos à vista aquilo que nos prende.

E por isso é altura de fazer enormes mudanças, de formas muito reais e práticas. A visão que temos da realidade está a mudar e está a alargar-se e, como tal, precisamos de ajustar a nossa vida, o nosso mundo, a essa nova visão que estamos a desenvolver.

É um período sério, é um período de compromisso connosco e com os outros.

A partir do momento em que aceitamos curar partes da nossa personalidade, descobrindo que podemos ser um pouco diferentes, um pouco melhores em alguns aspetos, os caminhos abrem-se, sóbrios e imponentes.

Precisamos de tomar grandes decisões, decisões importantes. Para o fazer, temos de parar para perceber com o que realmente nos queremos comprometer a longo prazo. É altura de enveredar por um caminho que sentimos como sério, duradouro e que nos permitirá sentir segurança e estabilidade. Como tal, vamos ter de abdicar de algumas coisas (como formas de agir ou de pensar), que podem até já ter sido importantes para nós, mas que agora devem ser abandonadas, como confirmação do nosso total compromisso com o novo caminho.

De vez em quando, a Vida trata de nos recordar como tudo é efémero, passageiro, de como tudo, mais cedo ou mais tarde, termina, para dar lugar a outras coisas, a outras fases, a outros lugares…

Estamos numa dessas fases, em que precisamos de terminar alguns padrões para criar outros.

Precisamos de sentir em que ponto nos encontramos nas nossas relações. Precisamos de perceber o que não está a funcionar e comprometer-nos a mudar determinados aspetos da relação que a possam fortalecer.

Ainda que possa haver alguém a sair da nossa vida, porque uma fase chega ao fim, nunca somos «ilhas», neste mundo. Nunca estamos realmente sozinhos.

Cada uma das nossas relações vai sair transformada e isso será tanto mais fácil quanto mais rapidamente percebermos que a verdadeira transformação está a acontecer por dentro de nós.

Este período também é de grande importância no que diz respeito ao amor-próprio. Passamos tempo demais a martirizar-nos e a criticar-nos, a criticar a vida que levamos ou simplesmente deixando de acreditar que merecemos melhor.

Está na altura de reforçarmos o nosso compromisso connosco e com a nossa vida. Provavelmente não temos andado a cuidar-nos como devíamos e como merecemos. E é preciso um ponto de viragem.

O amor é tão procurado… É tão idealizado… O conceito que temos de amor é tão causador de ilusões e desilusões… Como a felicidade, existe tanto aquela crença de que a felicidade estará mais à frente, mediante certas condições.

Nem o Amor nem a Felicidade são dependentes de grandes e perfeitas condições.

Estamos numa fase em que podemos descobrir, novamente, que tanto o Amor como a Felicidade podem ser muito simples, podem estar mesmo ao nosso alcance e nós só temos de abrir os olhos.

Aliás, acredito que o Amor e a Felicidade andam de mãos dadas e são, na verdade, capacidades nossas. Não são algo que nos acontece. São sentimentos que fazemos acontecer. Ainda que tenhamos que passar por muitas emoções, algumas delas difíceis de transpor, temos a capacidade de escolher sentir Amor.

Sem grandiosidades desnecessárias, somos capazes de trazer Amor para os nossos dias, para a nossa realidade. Somos capazes e devemos comprometer-nos com isso.

O sentido da vida é aquele que lhe damos. É chegada a altura de voltar a impregnar de Amor o sentido da vida. Nas grandes e nas pequenas coisas.

É o Amor que faz a diferença entre uma refeição para encher o estômago e uma refeição que alimenta. E podemos aplicar isso a todas as coisas que fazemos.

É o Amor que faz a diferença entre uma obrigação e uma satisfação. A situação pode ser exatamente a mesma. Mas se escolhermos agir com Amor, mudamos o seu significado.

Temos de deixar de cair no erro que o Amor depende da sorte e dos outros. O Amor depende de nós. Agora, neste preciso momento, podemos invocar esta energia dentro de nós. Podemos escolher tratar-nos com Amor, podemos escolher fazer cada pequeno gesto com Amor. Podemos escolher, a cada momento, a cada dia, comprometer-nos com o Amor.

E assim conseguimos a Liberdade, descobrimos que não somos, na realidade, dependentes de alguém ou de algo para sentirmos Amor. Podemos sentir Amor por nós e pela Vida.

Que possamos, nos próximos dias, renovar o nosso compromisso com o Amor, que possamos voltar a encher de Amor e beleza a nossa vida, e que possamos libertar-nos dos bloqueios do coração.

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