Onde e como estamos seguros?

LUA CHEIA EM CARANGUEJO

30 de Dezembro de 2020

Esta fase chama-nos para percebermos o que nos faz sentir mais seguros. Sentimo-nos normalmente mais seguros em situações e com pessoas que conhecemos desde sempre, ou pelo menos há muito tempo. Temos um sentimento de «segurança» quando fazemos as coisas da mesma forma que vimos os outros fazer, desde que éramos crianças. No «modo de segurança», colocamos o piloto automático no controlo e fechamo-nos cá dentro.

Photo by Jonathan Borba on Pexels.com

Sentimo-nos mais seguros quando tudo é como sempre foi. Queremos, quase sempre, ignorar que a mudança é a única constante da vida. Agora, temos incertezas acerca do que aí vem e duvidamos que seja possível fazer alguma coisa quanto a isso, acabando por sentir ansiedade e medo. Ah, como tudo era tão melhor antes, com as certezas e a confiança… Ou melhor, com a dormência e a inconsciência que nos deixavam ser arrogantes o suficiente para acreditar que o futuro era garantido.

No fim do ano, gostamos de olhar para a frente, fazer planos… Mas antes, temos de olhar para trás. O que conseguimos? O que ultrapassámos? O que aprendemos? Este ano tivemos muito tempo para pensar, para avaliar o que precisa de ficar para trás e o que precisa que lhe demos mais importância. Tivemos oportunidade para amadurecer emocionalmente e para avaliarmos as ligações que temos com os outros.

A Lua está em oposição ao Sol, como em todas as Luas Cheias, mas nesta estão os dois em quadratura com Quíron, o «curador ferido». Ou seja, temos de trazer alguma luz às nossas feridas emocionais, temos de olhar para as nossas inseguranças, para os nossos sentimentos de inadequação. Claro que não é só «olhar», o tempo é mesmo para «sentir». Vamos sentir essas inseguranças, vamos sentir medos, vamos ter saudades de pessoas e situações do passado e vamos sentir-nos como um peixe fora de água, de alguma forma, a lutar para sobreviver num ambiente diferente …

Photo by Engin Akyurt on Pexels.com

Felizmente, não somos peixes. Somos seres altamente adaptáveis. E se escolhermos parar de desejar o que já foi e começarmos a perceber que novas atitudes temos de tomar para nos adaptarmos ao que é, voltaremos a sentir-nos seguros, voltaremos a sentir-nos «em casa».

A Vénus em conjunção com a Cauda do Dragão também nos faz viajar agora ao passado, pensar nas pessoas que já passaram pelas nossas vidas, pensar no que aprendemos (ou não) com cada uma. Como tem sido a nossa maneira de nos relacionarmos com os outros? Será que tendemos a projetar imensas expectativas nos outros e nos esquecemos de apreciar quem eles são, realmente? Será que fazemos o mesmo connosco, acabando por nos castigar a cada imperfeição e desilusão?

Photo by cottonbro on Pexels.com

Não podemos basear a nossa vida e as nossas relações em expectativas e ilusões de perfeição. Temos de nos dar espaço e tempo para fazermos o nosso melhor, qualquer que seja o nosso melhor hoje. Precisamos de mais compreensão e compaixão, hoje. E, antes demais, connosco. Depois de conseguirmos fazer isso, de aprendermos a deixar de ser tão duros e críticos connosco, podemos começar a perdoar os outros. Todos estamos num caminho de evolução, é importante relembrarmos isso.

Photo by Anastasiya Lobanovskaya on Pexels.com

De cada vez que respondemos com aspereza e dureza a um erro (normalmente fazemos isso com os nossos próprios erros), estamos a bloquear a aprendizagem. Temos de nos lembrar de sermos mais compreensivos, mais pacientes, mais flexíveis, connosco e com quem temos por perto. Cada um tem uma criança ferida por dentro (umas mais feridas que outras), normalmente por falta de valorização. Cada um precisa de aprender a ser mãe ou pai dessa criança, precisa de lhe mostrar que ela é capaz, que ela é importante, que ela é única e incomparável.

Photo by Alex Green on Pexels.com

Num tempo para sentir, precisamos de não tentar fugir e de querer tapar emoções com comida, bebida, TV, redes sociais, … Vai chegar a impaciência, vai chegar a frustração, vai chegar a insegurança, vai chegar o medo e precisamos de aceitar isso, precisamos de aceitar as emoções que tivermos, que nos podem parecer bichos feios e maus num mundo construído de fachadas e aparências. Precisamos senti-las para libertá-las. Se tentarmos fugir, elas correm atrás. Se ficarmos e as olharmos de frente, se as sentirmos com atenção, elas perdem poder, transformam-se, porque nos transformamos.

Que saibamos aproveitar esta Lua Cheia para ganharmos maior equilíbrio interior e seguirmos renovados para o novo ano!

Um Feliz Ano Novo para todos!

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