Domesticando os nossos demónios – 16 e 17 de Julho

A Lua Nova acontece quando o Sol e a Lua se encontram no mesmo signo.

A Lua Cheia acontece quando a Lua passa pelo signo oposto ao signo do Sol.

O quarto crescente acontece quando a Lua está a meio caminho entre a Lua Nova e a Lua Cheia – forma uma quadratura com o Sol, um ângulo de 90º no mapa astrológico.

Como é óbvio, acontecem todos os meses, mas costumam passar mais ou menos despercebidos. Este não vai passar despercebido.

O Sol ainda está em Caranguejo, a mostrar-nos como devemos fazer para nos sentirmos melhor em casa, melhor no nosso corpo, melhor na nossa mente. Queremos descanso e que ninguém nos moa a cabeça com este calor. Aqui andamos, nas calminhas, a ver o que é melhor para cozinhar (ou mais fresco para beber), a pôr as paredes mais brancas, a desalojar as pobres das aranhas dos cantos da casa, a aproveitar as férias com a família, a dormir sestas, a pensar nos bons velhos tempos (porque se a memória for nossa amiga, os tempos velhos tornam-se sempre bons)… Até que…

O Sol faz frente a Plutão. E a Lua faz quadratura ao Sol e a Plutão. Alguém o despromoveu, mas ele ainda não passou a «Plutinho», continua o poderoso e muitas vezes assustador Plutão, tanto quanto tenho reparado.

Estes dias trazem descobertas importantes, trazem necessidade de libertação emocional (ou mesmo física), chamam-nos para compreendermos mais profundamente as motivações e os medos de quem temos por perto.

São dias intensos e algo pesados, que nos permitirão alargar a nossa zona de conforto e ajudar alguém próximo a fazer o mesmo. São dias de criação de verdadeira intimidade, dessa que mete medo, porque põe a alma a nu.

São dias de partilha de segredos.

São dias em que podemos encontrar-nos em posição de aliviar o sofrimento de alguém.

São dias em que temos de enfrentar os nossos demónios. Nem vale a pena dizer que foi o outro que nos trouxe o «demónio», temos vontade disso, sempre. A culpa é sempre do outro. E nestes dias, a culpa vai continuar a parecer que é do outro. A não ser que tenhamos a coragem de ser senhoras e senhores para assumir que já trazíamos o demónio às costas (desde aqueles «bons velhos tempos») e que o outro só o acordou.

Estes são excelentes dias para (pelo menos tentarmos) domesticar os nossos demónios. Alguém vai querer brincar com eles, acordá-los, ver como são e o que fazem. E nós, em vez de continuarmos a dizer que aquele «bicho» não é nosso, que o «bicho» não somos nós e que a culpa é da mãe e do pai e do espírito santo e do governo… Só temos de assumir que a fera realmente é nossa, mas que não pode tomar o controlo. Porque nós podemos respirar fundo antes de reagir, podemos responder com silêncio quando as coisas ficam demasiado exaltadas. Podemos correr, saltar, dançar e cantar até libertarmos tudo, em vez de fazermos algo de que nos vamos arrepender.

E se tudo correr bem, podemos ter alguém em quem confiar os nossos segredos e os nossos desejos, alguém que nos ajude a domar o nosso pequeno e «fofinho demónio», olhando de frente para ele, assumindo as dores que ele às vezes nos dá, por nos lembrar dos nossos fracassos, por nos fazer acreditar nas nossas incapacidades, por nos martelar constantemente com incertezas e medos, por nos encher de ansiedade…

Nestes dias, devemos encontrar estratégias para lidar com o nosso lado «sombra», com o nosso demónio. Dar-lhe luz é sempre a melhor estratégia, claro. Tudo o que tentamos manter escondido vai ganhando poder sobre nós. Vamos ter de refletir sobre aquilo que nos atormenta e estaremos em posição de ganhar uma nova perspetiva, seja através de uma conversa importante, de uma informação que nos chega de algum lado, de uma nova experiência que nos ajudará a ultrapassar alguns bloqueios…

A morte é um grande medo generalizado. Durante estes dias também teremos de contemplar, de alguma forma, a morte (o aparente fim ou a alteração profunda de algo na nossa vida). A vida é feita de ciclos, de nascimentos e mortes. Sabemos disso. Neste mundo que experienciamos, o espaço e o tempo põem limites em tudo. Temos de aprender a viver com isso, mas também podemos, aqui e ali, transcender esses limites, sonhar, acreditar, amar, sentir além dos sentidos, tornar momentos eternos tocando outra alma com a nossa.

Não nos deixemos enganar pela finitude do que é físico, somos muito mais do que isso. Não viemos cá para «crescer, reproduzir e morrer». Viemos cá para evoluirmos em conjunto. Para assimilarmos maneiras de sermos melhores humanos, de nos aproximarmos de Deus/Amor.

Vamos lá lembrar-nos disto quando alguém nos premir o botão «errado».

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