Reencontrar o rumo

Como é que se estão a dar com a temporada de Capricórnio, até agora?

Esta é aquela fase do ano em que temos de reaprender a focar aquilo que é realmente importante e a fazer o que for preciso para seguirmos o caminho dos nossos objetivos.

Além de precisarmos de compreender muito bem todas as dimensões relativas ao nosso papel no mundo (enquanto pessoas, enquanto mães/pais, enquanto profissionais…) e de nos comprometermos com as responsabilidades inerentes, também precisamos de aceitar determinados limites das nossas circunstâncias.

Apesar de podermos ter grandes ideais e grandes visões para a nossa vida, é importante termos em conta que precisamos obedecer a determinadas regras e agir dentro de determinados limites.

Temos as regras e limites naturais, como o dia apenas ter 24 horas e precisarmos de decidir como as utilizar; ou como ser preciso uma manutenção adequada do corpo (alimentação, exercício, repouso); ou como a gravidade do planeta nos impedir de flutuar por aí…

Um limite natural muito importante é o fim da vida. Há práticas espirituais que incitam a esta contemplação. Pode parecer mórbido para muita gente pensar na morte, mas a verdade é que todos os dias estamos um dia mais perto dela. Quando digo isto, quase nunca obtenho boas reações. No entanto, esta é a mais pura das verdades. Tanto quanto sei, não há como fugir. Mas não é conhecer e aceitar este fato inegociável de que teremos um fim que nos torna deprimidos. O que nos põe deprimidos é não darmos o nosso melhor enquanto aqui estamos, é não realizar o nosso maior potencial enquanto aqui estamos. E convenhamos, é muito difícil saber quanto tempo ainda nos resta para realizar o nosso potencial.

Como é óbvio, também não podemos viver totalmente como se o mundo acabasse amanhã, porque temos de continuar a obedecer a determinadas regras «não naturais», como levantar cedo e ir trabalhar, contribuindo para a estrutura de uma sociedade organizada e para obtermos a retribuição necessária à manutenção de uma casa quentinha, com água corrente e comida no frigorífico e talvez um ou outro luxo que tenhamos sido ensinados a desejar.

Portanto, continuamos a precisar de ter uma visão para a nossa vida e de estabelecer planos a longo prazo, mas também precisamos de ter bem presente que a vida se faz um dia de cada vez, um momento de cada vez e de que os planos a longo prazo devem ser executados passo a passo.

É importante termos planos que nos deem vontade de viver, que nos ajudem a caminhar rumo ao nosso potencial total, mas não nos podemos esquecer de que cada dia é um dia importante nesse caminho. O «mais tarde» pode chegar, mas também pode não chegar.

E agora, por estes dias, quando andarmos confusos em relação ao que devemos fazer, seria bom refletirmos nas razões que estão por trás das nossas ações e nos planos que temos para a nossa vida. É necessário encontrar formas reais e objetivas para caminharmos na concretização dos nossos ideais. Isto pode parecer algo grandioso demais, mas cada um de nós terá de aplicá-lo à sua maneira.

O mundo pode parecer-nos um lugar às avessas, fazendo-nos sentir desanimados, frustrados, amedrontados, revoltados… Ao pensarmos em tudo o que nos desilude, pode parecer impossível que as nossas ações possam fazer a diferença. Este é um dos desafios que enfrentamos: desenvolver ao máximo o nosso sentido de dever e de compromisso com o mundo, de forma a contribuirmos para diminuir as desilusões do mundo e torná-lo bem mais espantoso.

Afinal de contas, estamos aqui na Terra para quê? Eu não acredito que seja para passar o tempo, muito menos para nos deixarmos enredar pelo sofrimento ou para cumprir «castigos». A vida não é injusta, embora da nossa perspetiva limitada assim o pareça muitas vezes. A vida é uma oportunidade de crescimento interior, de ganho de sabedoria, de aprendizagem de Amor.

Estamos aqui num processo de evolução, enquanto pessoas e almas. Hoje, amanhã e todos os dias, devemos lembrar-nos disso, não para nos martirizarmos por tudo o que não conseguimos fazer bem até hoje (não estamos aqui para nos enredar em sofrimento, lembram-se?), mas para ganharmos cada vez maior consciência do que fazemos bem e do que devemos treinar para fazer melhor, a cada dia.

Quando as grandes dúvidas surgirem, quando os grandes medos aparecerem, lembremo-nos de que estamos aqui para fazer do mundo um lugar melhor, ou seja, estamos aqui para nos tornarmos melhores e, inevitavelmente, para tornar melhores as vidas de quem nos rodeia.

Então, que pequenos grandes passos podemos dar hoje para nos aproximarmos do nosso maior potencial e, já agora, para tornar o mundo de alguém um pouco mais fácil e mais feliz?

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