Lua Cheia em Balança

16 de Abril de 2022

No dia 16 de Abril, a Lua Cheia subirá no Céu em Balança, trazendo-nos mensagens acerca de relações e equilíbrio.

O Sol já vai nos últimos graus de Carneiro, de onde nos tem ajudado a recuperar alguma «garra» na vida. Tem-nos mostrado novos caminhos, tem-nos lembrado de ativarmos a nossa energia, de colocarmos coisas (e de nos colocarmos a nós) em movimento. Tem sido uma boa fase para pensarmos em nós próprios, para nos redefinirmos, para nos alinharmos com a paixão que temos pela vida.

Contudo, não tem sido, de todo, fácil, com os aspetos que Saturno tem feito. Por um lado, juntou-se a Marte, mostrando-nos alguns obstáculos e dificuldades que, aparentemente, nos bloquearam o caminho, mas que, na verdade, aconteceram para nos darem lições de perseverança, de paciência e de esforço. Porque apesar de nos calhar sempre bem que as coisas se resolvam num piscar de olhos, quando Saturno se mete ao barulho isso nunca acontece. Há coisas que precisam de tempo para se desenrolar, tempo esse que devemos usar para estarmos mais presentes connosco e com aquilo que está ao nosso alcance fazer e mudar. E há outras coisas que, além de tempo, exigem a nossa preparação e o nosso esforço. E com esse trabalho, seja físico ou psicológico, vêm recompensas muito elevadas – a sensação de conquista, o sentimento de vitória, a auto-confiança, a paz interior de quem ficou e enfrentou o que tinha de enfrentar.

Além da conjunção com Marte, Saturno também se encontra numa quadratura com o eixo do destino (os nodos da Lua). O karma e o destino a desafiarem-nos. Acho que, antes de mais, é bom relembrar que estamos continuamente a recolher os resultados das nossas ações passadas (das de ontem e das de outras vidas) e, simultaneamente, a «semear» novas ações. Isso é importante relembrar porque, por vezes, sentimo-nos esmagados ou até injustiçados por circunstâncias que não são mais do que o resultado do que fizemos antes, e acabamos por nos afundar em mágoas e rancores, em vez de nos dedicarmos a mudar as nossas ações, de forma a criar um futuro diferente.

A quadratura de Saturno com o eixo do destino é uma energia forte, que exige muito de nós. De um lado temos Touro, que nos chama para aproveitarmos a vida agora, para nos deleitarmos nos seus aromas e sabores, nos seus prazeres, dos mais simples aos mais luxuosos. Sentimos um grande impulso para «ter», para «possuir», do qual devemos ter consciência clara, pois temos vindo a ser «educados» no sentido de ter mais do que aquilo que podemos adquirir. Os bancos adoram os reféns para a vida. Na verdade, aquilo que realmente desejamos é um sentimento de segurança, de estabilidade, de quem sabe que tem o que é preciso para levar uma existência sem sobressaltos. Infelizmente, temos sido levados a acreditar que precisamos de muito mais do que aquilo que realmente precisamos. Continuamos a acumular bens ou dinheiro, ou a desejar a «sorte grande», na esperança de um dia, finalmente, termos adquirido o suficiente para podermos viver descansados.

A verdade é que, se não aprendermos a viver descansados, seja com o que for que tivermos, os bens materiais nunca serão suficientes. Ou ainda que achemos que são, vai haver sempre uma sombra a pairar, que nos lembrará de que podem ser destruídos, que podem ser perdidos.

Os recursos materiais, embora necessários, não podem ser a única medida da nossa segurança e estabilidade na vida. É certo que é importante agora colocarmos as nossas finanças em ordem, investirmos, pouparmos… Mas o mais essencial é, sem dúvida, cuidarmos dos nossos recursos interiores. Que qualidades queremos desenvolver? Que capacidades queremos treinar? Que talentos queremos ver desabrochar? Precisamos de consolidar a nossa nova zona de conforto, antes de nos esticarmos para ir mais além. O que podemos fazer aqui e agora, com as circunstâncias presentes, para nos sentirmos mais senhoras e senhores da nossa vida?

Do lado oposto de Touro, temos Escorpião, onde se encontra o Nodo Sul da Lua, simbolicamente ligado ao passado. Somos relembrados dos aspetos sombrios do nosso passado, das crises, dos medos… Estas memórias, mais ou menos traumáticas, precisam de integração em nós. Não as devemos manter para sempre como sombras que nos seguem, enquanto tentamos esquivar-nos ou aceitamos castigos auto-impostos. Precisamos de ter coragem para aceitar o que aconteceu, para interpretar isso à luz da nossa evolução pessoal e espiritual, retirando lições e percebendo o que determinada crise nos ajudou a desenvolver de positivo em nós e na nossa vida.

A energia desta Lua Cheia tem muito a ver com relações. Pode haver um certo sentimento de isolamento ou abandono, ou um medo de ficarmos sozinhos, que nos faz questionar acerca do que merecemos e de onde pertencemos. Estes sentimentos incómodos e em alguns casos bastante dolorosos, são necessários para o nosso processo de redefinição de quem somos, daquilo que são as nossas prioridades e da vida que desejamos criar. Não podemos nem devemos simplesmente agarrar-nos com toda a força àquilo que foi… Estamos numa fase de dissolução e libertação e, ao mesmo tempo, a entrar num novo mundo. E aquilo que nos incomoda, aquilo que nos é doloroso são sinais inequívocos do que devemos deixar partir e do que devemos nutrir e fazer crescer.

Nesta Lua Cheia em Balança, o nosso envolvimento com os outros é iluminado com maior intensidade. Temos andado ocupados connosco, com o que queremos e deixamos de querer. Agora torna-se uma prioridade perceber melhor a relevância e o papel dos outros na nossa vida. Esta também não vai ser uma etapa fluida, porque acontece com uma quadratura com Plutão. Para começar, teremos de ajustar o uso do poder. Há sempre quem abuse, e também há sempre quem abdique da sua própria força. Nesta Lua Cheia, temos de adaptar o uso do nosso poder nas relações. Estamos perante uma viagem ao fundo de nós e ao centro das nossas relações. Qual é a força dos nossos laços? Qual é o propósito das nossas alianças? O que é que os outros nos ajudam a descobrir em nós? O que precisamos de descobrir nos outros?

Provavelmente, antes de chegarmos a verdades profundas que nos façam sentir mais fortes e unidos, teremos de enfrentar aqueles lugares escuros em nós e teremos de ter a coragem de mostrá-los a quem queremos connosco. Esta é uma boa fase para lidarmos com aquilo que guardamos na sombra, aquilo que, na maior parte das vezes, preferíamos manter nas trevas: os medos, as vergonhas, as invejas, as culpas, as inadequações… É altura de levarmos mais luz a essas partes de nós, provavelmente teremos alguém que nos ajude a fazer isso (ou que nos impulsione a fazer isso). A simples observação desses lodos do ego, a criação do desapego ao que foi e ao que fomos, tem o poder de libertar-nos. Convidar alguém de confiança a conhecer essas partes mais sombrias de nós dá-nos a oportunidade de aprender a ver as coisas com outros olhos, ajuda-nos a libertar muita carga psicológica. E aprofunda as ligações que temos.

Esta energia é muito transformadora, o que significa que implica o fim de algo e o início de outra fase. É uma daquelas fases da vida em que somos lembrados de que a mudança é a única constante… E é sempre mais fácil quando somos nós a tomar a iniciativa da mudança, o que requer coragem e uma atitude de liderança, que deve ter os outros em consideração. O que podemos fazer para renovar as estruturas da nossa vida? Que regras se tornaram obsoletas? Que limites precisam de ser alargados? Que planos precisam de ser modificados?

Temos de tomar maior consciência de até onde as nossas relações nos trouxeram, sejam elas pessoais ou profissionais. Algumas terão de ser modificadas, a energia da interação precisa de ser diferente, precisa de ser redirecionada de forma intencional, para que as relações criadas sejam mais equilibradas, mais saudáveis, com mais diálogo, com maior entendimento mútuo.

Tanto Marte, o regente de Carneiro (onde está o Sol), como Vénus, a regente de Balança (onde está a Lua) estão em Peixes, onde Júpiter e Neptuno continuam em conjunção. Este é um pico de energia doce, que pode e deve ser utilizada para criarmos mais amor, mais compreensão, mais compaixão, mais cura e entreajuda. Contudo, é importante termos cuidado para não nos deixarmos cair no modo de «vítima sofredor(a)». Devemos, isso sim, lembrar-nos de que tudo é energia e que a energia se transforma.

Tanto nós somos energia que se vai transformando, como também os nossos «problemas» (desafios) são energia, que por vezes se transforma por si e outras vezes somos nós a transformar. Tudo é energia, mesmo aquilo que nos parece mais material, sólido, concreto e palpável. Tudo é energia e tudo é transformável. A questão que fica é: que transformação precisamos fazer? Como podemos manusear a nossa energia e a energia dos nossos desafios para criar um mundo melhor?

O Sol e a Lua estarão a fazer contactos positivos com Marte e com Saturno, o que nos auxilia a arregaçar as mangas e a tomar ações mais inspiradas, que nos levarão na direção que pretendemos.

Que saibamos fazer destes dias, dias felizes!